quarta-feira, 17 de janeiro de 2007

Capítulo 1 – O parto

A câmera passeia pelo Pão-de-Açucar e dá um rasante até focalizar os prédios do Leblon. Para as cenas do mar carioca ao cair da tarde, uma bossa nova tudo a ver com o contexto – Balanço Zona Sul – é ouvida no fundo. A câmera procura novos lugares cartão-postal deixando de fora das paisagens os morros porque, afinal, a intenção da novela não é promover luta de classes. A seqüência termina na entrada de um Hospital...

[Helena Duarte é uma mulher apaixonada. Por amor, ela é capaz de tudo! Desquitada e mãe de um casal de filhos, sua vida é bossa nova e praias do Leblon até a fatídica noite de plantão de ano novo no Hospital Santa Rita de Cássia].

Depois de assistir a “um bom filme” e “um bom jantar” em “um bom restaurante” acompanhada de seu marido, Marcelo Gianechinni, Camila Eduarda, a filha de Helena Duarte, vai à praia jogar flores para Iemanjá e sente as primeiras dores do parto [ou gases, porque isso é muito comum em novelas que tentam reproduzir a realidade] e precisa ser socorrida às pressas coincidentemente no mesmo hospital no qual sua mãe trabalha como plantonista.

[Camila Eduarda é uma menina mimada pela mãe. Casou cedo e toda vez que está estressada – o que sempre ocorre – precisa que seu marido Marcelo, o engenheiro, arquiteto e decorador de interiores a leve para Acapulco ou Angra para “um bom passeio”. Muito frigidazinha – digo, fragilzinha – e insegura, a moça tentou engravidar de Marcelo Gianechinni imediatamente após o casamento pelo receio de perder o amor do rapaz].

“Raios e trovões” cortam o céu do Leblon em uma cena que a câmera foca o Cristo Redentor rodeado de inúmeras logomarcas gigantes da Fundação Roberto Marinho [merchandising social em prol da preservação do patrimônio público].

Marcelo Gianechinni com os olhos emocionados observa o parto da mulher enquanto a trilha sonora traz Amado Batista cantando ao fundo com as meninas cantoras de Petrópolis: “no hospital, na sala de cirurgia, pela vidraça eu via você sofrendo a sorrir...”.

A câmera da um close em Helena Duarte porque precisa disfarçar que a mão a ser inserida no útero de Camila Eduarda não é sua, mas sim de uma médica verdadeira realizando o parto real de uma figurante despossuída contratada especialmente para a cena.

No primeiro choro de bebê Camila Eduarda desmaia como era de se esperar ao ver tanto sangue; no segundo choro, Helena arregala os olhos assustada, fixando-os em Marcelo, que também desmaia.

A correria toma conta do centro cirúrgico e uma música de tensão se inicia para terminar o primeiro capítulo.

Um comentário:

Bruna disse...

joao coloca no seu orkut
pra todo mundo le
bjs